ACENSÃO BOREAL - Profak
No dia em que Ava avistou Magnus Vanlertau descendo a montanha fechou os olhos e sorriu. Sabia que estava destinada àquele homem. Seu pai a prometera em casamento, mas não era necessário. Se o visse, mesmo sem ser prometida ao mouro de olhos azuis, corpo vigoroso, cabelos da cor do trigo que lhe caiam nos ombros ela se casaria com ele. Estavam destinados um ao outro pelos deuses. Era da vontade de Frigga, e era inquestionável.
Quando a aurora despertava, duas luas depois que o guerreiro descera a montanha, Ava era preparada por suas damas. Seus cabelos foram trançados nas laterais da cabeça em tranças pequenas e finas, ficando no centro uma trança maior, que se iniciava logo após uma elevação mais alta na raiz do cabelo da frente da testa. Sua vestimenta, embora pudesse parecer grosseira, era tão delicada quanto à quarta lua de Frey.
E lá estava seu futuro marido, a sua espera, tinha as laterais da cabeça raspada e o restante do cabelo preso em um rabo de cavalo. Tinha sobre os ombros uma pele de urso branco para suportar o frio islandês. A maioria das auroras eram geladas.
Juntos o casal travou muitas batalhas. Sempre com a certeza de que como o nascer do sol indica que a escuridão irá desaparecer, acreditavam na união, uma coisa de amanhecer essência.
Juntos... Sempre juntos. Anoiteciam e amanheciam.
Partiam juntos... Mas quiseram os deuses que um dia Ava voltasse sozinha. Em meio à batalha travada o fogo lambia seus navios como línguas de serpente venenosa. As flechas lançadas pelo exército opositor, não foram flechas de cupido, adentravam a carne desfalecendo seu povo. Encurralada pelos adversários, Ava sentiu que os 540 portões de Valhala se abriam para ela. Fechou os olhos pedindo a benção dos deuses. Fez-se o silêncio...
Ao cintilar do primeiro clarão do sol, a aurora boreal se fez presente.
Ao abrir os olhos o desespero tomou-lhe o corpo. Magnus jazia em sua frente, um uma flecha incrustada no coração. A razão lhe abandonara.
Como de costume da época, voluntariou-se para morrer com seu amado. O barco fúnebre foi laçado ao mar, com o guerreiro e tudo o que mais amava. Os arqueiros atearam fogo, como se acendessem uma pira.
Queimaram... Sempre juntos...
Hoje quando amanhece chovendo, dizem que são as lágrimas de Ava que lamenta sua perda.


Esse conto é magnífico . Voltei no tempo e na História. Além de nos trazer alento e esperança. Contos assim nos levam a imaginação e nos trazem a certeza que vale a pena escrever e investir na Arte. PARABÉNS pela arte da escrita.
ResponderExcluir