CRIANÇA VIADA
A
arte moderna é o primeiro período que abrange novas formas de fazer arte. A modernidade
foi um período de transformações vertiginosas e caóticas. Devia-se “criar” uma
nova cultura, com o objetivo de transformar as características culturais e
sociais já estabelecidas. No Brasil, ela teve início em 1922 com a Semana de
Arte Moderna. A arte transcende plataformas,
materiais e, principalmente, desprende-se da representação para virar
pensamento.
Há exatamente
cem anos atrás o pintor, escultor e poeta, Marchel Duchamp chocou o mundo ao
expor na Associação de Artistas Independentes de Nova York, em 1917, um mictório.
Sim... Um mictório.
Poucas
obras de arte impactaram e influenciaram tanto a maneira como se vê ao produção
cultural. Tanto se falou, se fez, que, o artista foi o criador do conceito
ready-made. Hoje considerado o marco do estilo no século XX, ditando o rumo
predominante na arte internacional das últimas cinco décadas, marcadas muitas
vezes por manifestações rebeldes, tais como a negação da própria arte.
Assim,
existe hoje, a idéia equivocada da arte, o que nos remete ao seguinte
pensamento. A Mona lisa não precisa do Louvre para ser obra de arte; é o Louvre
que precisa de Mona Lisa para ser museu.
Assim
como Duchamp, em 2017, nova polêmica permeia o mundo da Arte Moderna. Inicialmente
Queermuseu. A amostra com curadoria de Gaudêncio Fideles reunia duzentos e
setenta trabalhos de oitenta e cinco artistas que abordavam a temática LGBT,
questões de gênero e diversidade sexual. Além disso, também existiam obras com
apologia a zoofilia e pedofilia. O intuito de nos fazer refletir sobre os
desafios que devemos enfrentar em relação à questão de gênero, diversidade,
violência, entre outros, gerou tamanha polêmica que a amostra foi fechada. Ora,
pois... Como se não convivêssemos com essas temáticas há muitos e muitos anos.
O grande
problema da sociedade contemporânea é meter o bedelho e opinar sobre o que
desconhecem. Mesmo desconhecendo os princípios e o meio que permeia a arte,
esta nem sempre agradável aos olhos de quem a desconhece. Toda forma de
expressão artística vai causar dentro de nós um tipo de sentimento, agradável
ou não. Essa é a função da arte. Porém há de se acreditar que tudo posso, mas
nem tudo me convém, e o que não me convém devo abstrair? Não. Respeitar seria o indicado, uma vez que tanto
se lutou pela liberdade de expressão, pela igualdade de gênero, onde os grupos
marginalizados tentam impor-se de forma igualitária.
Não.
Não tomo partido deste ou daquele. O meu partido é o respeito pela manifestação
alheia. Há de se respeitar o indivíduo, mesmo que ele haja de maneira que não
condiga com a minha maneira de pensar ou agir.
A sociedade
é velada por uma falsa hipocrisia. Às escondidas tudo me é permitido, desde que
não caia aos olhos alheios. Um movimento artístico vem justamente para abrir as
cortinas da hipocrisia e revelar o que há por de trás dela. Conforme mencionado
por Gaudêncio Fideles, “as manifestações foram muito organizadas e mostraram
uma rapidez em distorcer o conteúdo.”
A arte
é o melhor lugar para debater, seja qual for o tema. Sempre foi assim e sempre
o será. Viva a diversidade, desde que ela não atinja e não agrida meu ponto de
vista.
Verdade, Adelmo... também concordo que os acontecimentos são distorcidos e encaminhados para outra direção: mais precisamente a que vê maldade em tudo e em todos. Abraço
ResponderExcluirGeralmente quem se posiciona contra é porque não não compreende ou não quer compreender o contexto no qual está inserido.
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