PONTO DE VISTA.


 O que se faz necessário é pararmos e analisarmos que não vivemos mais no Brasil Imperial. Sim, vou falar, mas não só sobre o preconceito racial. Mas sobre a grande moléstia que move a sociedade contemporânea. Podemos considerar que o preconceito está inserido em todos os círculos de interação humana, sendo um artifício usado no convívio e nos momentos em que nos defrontamos com o não familiar, o desconhecido ou o diferente. Ele nos ajuda a nos situar em determinadas situações em que o estranho, ao apresentar uma ou outra característica familiar ou associável a experiências passadas ou herdadas por nosso meio de convívio primário, passa a ser considerado compreensível dentro do nosso entendimento individual. O ser humano não se preocupa mais em valorizar as qualidades alheias. Parece meio mesquinho, mas não o é. Numa sociedade que se diz evoluída é inadmissível pensar que pessoas sejam tratadas com diferença por suas diferenças. E o “eu” reina majestoso como se ainda estivéssemos no período colonial e o meu “eu” fosse o soberano. Vivemos em um país onde todos têm direito de ir e vir. Não, não tem. Há grupos a quem esses direitos são tolhidos, e não se faz necessário citá-los, pois cada um de nós conhece a dura realidade que nos cerca. Em pleno século XXI confrontar-se com expressões preconceituosas ainda assusta aqueles que são livres de pensamentos, e tratam o ser humano na sua individualidade. Chega de mascarar a verdade, como dizem, chega de mi... mi... mi. A atual conjuntura aponta índices grotescos de intolerância ao nosso semelhante. Não me venham com meias verdades o problema existe e sempre vai existir. As duras penas tenta-se combater esse malefício, mas muitas, ao invés de melhorar as coisas só pioram. Cotas para os negros, ou afros descendentes, como desejarem, é uma afronta aos mesmos. Ao mesmo tempo em que se deseja mostrar que o negro é igual ao demais, subjuga-se a capacidade intelectual dos mesmos. Oras, uma vez que hoje o ensino é público é de direito e dever de todo o cidadão não há joio para separar do trigo. No entanto, o que mais me deixa chocado, é que se as vagas existem, e são supridas, alguém está usufruindo cordialidade com que a sociedade arrumou de dizer que não há preconceito. Sendo eu branco, negro, índio, mameluco ou sabei-me quantas mais nomenclaturas existem, não dou a ninguém o direito de subjugar minha capacidade intelectual, seja ela do tamanho que for. Agora o mais triste não são essas questões de trato de alçadas superiores. O triste mesmo é a realidade que cerca nosso cotidiano. É triste ver pessoas sendo discriminadas, serem motivo de chacota pelo simples fato de serem diferentes de mim ou dos demais. Como fica a individualidade de cada um? Se não se encaixa dentro dos padrões impostos pela sociedade, falsa moralista, não se encaixará em lugar algum? O difícil ato de conviver, por si só já é difícil, mas o aceitar, o socializar e principalmente o respeitar, tem se mostrado cada dia mais freqüente, e nesse quesito, não me refiro aos grupos marginalizados pela sociedade. Há um apodrecimento de valores, uma gana imensurável de projetar-se a qualquer custo. O ser humano serve de degrau para o outro como se isso fosse à coisa mais natural a ser feita. Volto na questão do “eu”. Não sendo no meu, fica tratado que está bom para mim.

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